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01/04/2010
Campanha valoriza o trabalho docente

Silvia Barbara
As negociações salariais estão em curso, mas a Campanha Salarial já produziu um efeito: valorizou o professor ao mostrar o trabalho que ele realiza.

As mudanças na Educação nos últimos anos foram significativas no campo das reformulações pedagógicas e no uso de ferramentas tecnológicas por professores e alunos. Essa combinação alterou a dinâmica fora e dentro da sala de aula. E mudou o trabalho docente, em quantidade e qualidade.

Mas esse processo nem sempre tem sido perceptível aos olhos de quem não dá aula.  Por conta disso, muitas vezes a Educação escolar de hoje é tratada como se nada de novo tivesse ocorrido nos últimos 50 anos.

Para piorar, há ainda aqueles que, mesmo sem nunca ter dado uma aula na vida, julgam-se experts sempre prontos a criticar o sistema de ensino e, em particular, os professores. Muitas vezes, com pouco fundamento.

Costumo usar um exemplo singular na área em que atuo. Frequentemente,  leio análises que questionam as aulas (e os professores) de Geografia que "obrigam  o aluno a decorar os afluentes da margem direita do Rio Amazonas".

Pergunte a um professor de Geografia se isso acontece de verdade. Se duvidar da palavra dele, basta pegar materiais didáticos para comprovar que esse modelo foi abandonado há décadas.

Pessoalmente, acho que esse tipo de conhecimento - "os afluentes da margem direta ..." - hoje está fazendo falta. Também não consigo entender por que o ato de "decorar" virou quase um palavrão, mas isso é tema para uma outra reflexão.

Assim como em Geografia, há exemplos em todas as disciplinas que indicam uma desconexão entre muito do que é dito sobre a Educação escolar e o que tem sido realizado pelos professores. Talvez aí resida uma das causas do "mal estar docente".

Ao tratar do uso intensivo de ferramentas tecnológicas (e cobrar pelo trabalho adicionado), a Campanha Salarial acabou por expor uma faceta do trabalho docente pouco divulgada. E causou surpresa.

Prova disso foi a grande repercussão da Campanha na grande imprensa. Folha de S.Paulo, Jornal da Tarde, Estadão, Rádio CBN, são alguns exemplos.

Todas essas reportagens mostraram como o professor está trabalhando a mais. Fato que nenhum patrão, ao ser entrevistado, ousou negar.

Mesmo sem estar concluída, a Campanha teve o mérito de propor um outro olhar sobre o trabalho docente.

O velho discurso sobre "o que o professor deveria fazer (e não faz )"  cedeu lugar ao que "o professor realiza". Falta só receber por isso.

Silvia Barbara é professora de Geografia de ensino médio e diretora da FEPESP e do SINPRO-SP.

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Escolas são empresas?

Autor: Aparecida Tiradentes

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