Convenção Coletiva 2010
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28/04/2010
Dói no bolso

As negociações no ensino superior ainda não foram concluídas. Os mantenedores empacaram numa proposta de reajuste insuficiente para recompor o poder de compra dos salários.

Pra relembrar: a inflação no período março/2009 a fevereiro/2010 foi de 5,18%, segundo o critério que tem sido adotado nas Convenções dos últimos anos, lógica que deve ser mantida (média dos três principais indicadores: ICV-DIEESE, INPC-IBGE e IPC-FIPE).

O SEMESP propõe 4% a partir de março e 1,18% em fevereiro de 2011. Nas contas dos patrões, isso recomporia a base salarial sobre a qual seria aplicado o reajuste da próxima data base, em março de 2011. Dessa maneira, a perda não seria eternizada.

Não é preciso ser exímio professor de matemática para entender a perda embutida na proposta do SEMESP.

Tomemos por base um salário de R$ 1.000,00 em fevereiro de 2009:

 

Proposta SEMESP

Recomposição integral da inflação

Salários

R$ 12.491,80 (1)

R$ 12.621,60 (2)

Adicional férias (1/3)

R$ 346,67

R$ 350,60

13º salário

R$ 1.040,00

R$ 1.051,80

FGTS

R$ 1.110,28

R$ 1.121,92

Total

R$ 14.988,74

R$ 15.145,92


(1) de março/10 a janeiro/11, salário mensal de R$ 1.040,00 (4%) e, em fevereiro/11, R$ 1.051,80 (5,18%)
(2) de março/10 a fevereiro/11, salário mensal de R$ 1.051,80 (5,18%)

Na comparação das duas colunas, a diferença na massa salarial, no ano, é de R$ 157,18 para cada R$ 1.000,00 recebidos em fevereiro.

A proposta do SEMESP recompõe a base salarial para o futuro, mas expurga da massa salarial uma quantia que não pode ser tirada dos professores. Afinal, representa 15,72% de um salário (ou 1,2% ao mês).

É um valor expressivo para os professores, mas insignificante para os patrões, especialmente por se tratar de um segmento econômico que, convenhamos, não tem do que se queixar.

A mágica agora está em descobrir como essa perda pode ser recuperada e também brigar por um aumento real. Afinal, a proposta do SEMESP dói no bolso. Dos professores, é claro!


Escolas são empresas?

Autor: Aparecida Tiradentes

Matéria da Revista

O jogo especulativo subordina a produção acadêmica e a formação das novas gerações aos interesses do mercado.

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