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25/03/2010
Ensino superior quer pagar menos do que a inflação

Os mantenedores querem reajustar os salários dos professores em 4%, índice abaixo de todos os índices de inflação. A proposta foi apresentada pelo sindicato patronal (SEMESP) na rodada de negociação do dia 25/03.

A reposição da inflação só seria integralizada em fevereiro de 2011, com um acréscimo de 1,18% nos salários. Zero de aumento real e nada de participação nos resultados!

Além da alegada "crise" (que só eles enxergam), os patrões dizem que a inflação subiu mais do que o esperado depois que as mensalidades tinham sido fixadas para 2010. 

De fato, em janeiro houve um repique e o custo de vida ficou 1% maior. Só que as escolas há muito vêm se reestruturando para ter mensalidades mais baixas e manter o lucro, pela escala.

Além disso, convenhamos: o impacto desse repique é pequeno na folha de pagamento. Representa um acréscimo de apenas R$ 1.000,00 numa folha de pagamento de R$ 100.000,00!

É pouco para o patrão, mas uma perda significativa para os trabalhadores. A proposta do SEMESP provoca uma redução na massa salarial do professor da ordem de 14% de um salário.

Trabalho tecnológico
Na mesma reunião, o SEMESP ainda fez uma contraproposta para o trabalho tecnológico: a remuneração seria definida por acordo entre o professor e seu empregador. Caberia à Convenção estabelecer apenas a obrigatoriedade do pagamento, sem determinar o valor e os critérios.

Ora, o "acordo direto" já é possível hoje. Por que então os mantenedores não pagam pelo trabalho? O SEMESP quer que a Convenção dê aval à liberdade que os patrões já têm. Se os SINPROs aceitassem, os professores perderiam até o direito de cobrar na Justiça as horas de trabalho que hoje não são pagas.

Bolsas de estudo
Os patrões ainda querem alterar a cláusula de gratuidade nas mensalidades para os dependentes dos professores, sob a alegação - ainda não comprovada - de que as mantenedoras estão sendo autuadas pela Receita Federal, que considera as bolsas salário indireto, sujeito à contribuição previdenciária.

Por conta disso, o SEMESP quer transferir as bolsas para os SINPROs, que se encarregariam de distribuí-las aos professores.

Sob um clima de tensão, todas as propostas foram rejeitadas pelos SINPROs e pela FEPESP.


Compare as diferenças entre as propostas do SEMESP e as apresentadas pelos SINPROs e pela FEPESP:

Proposta dos SINPROs / FEPESP

Proposta do SEMESP

Reajuste

  · 5,18% de reposição da inflação

  · 3% de aumento real

  · 4% em 2010 + 1,18% em fev/2011.

  · Zero de aumento real

Participação nos Resultados

  · 50% de um salário

  · nada

Trabalho tecnológico

  · Pagamento obrigatório das atividades agregadas ao trabalho docente e realizadas nas plataformas da Instituição.

 

  · Sendo atividades habitualmente realizadas, a remuneração seria calculada pelas horas de trabalho realizadas no mês, não podendo ser inferior a 75% do valor da hora-aula.

 

  · Sendo atividades esporádicas, as atividades seriam  pagas como hora extra.

 

  · As aulas ministradas em cursos a distância ou semipresenciais seriam pagas, no mínimo, pelo valor da hora-aula presencial.

 

  · O pagamento passaria a ser obrigatório a partir de fevereiro de 2011, prazo para a adequação das IES (por exemplo, estabelecer critérios de medição do trabalho).

  · A Convenção estabeleceria apenas a obrigatoriedade do pagamento pelas atividades tecnológicas que foram agregadas.

 

  · O valor e os critérios da remuneração seriam negociados diretamente pelo empregador e o professor.

Bolsa

de

estudo

  · Manter a redação atual.

  · A bolsa de estudo para os dependentes dos professores seria transferida para os SINPROs para distribuição à categoria.

Demais cláusulas

  · Manter redações atuais.

  · Manter redações atuais.


Escolas são empresas?

Autor: Aparecida Tiradentes

Matéria da Revista

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